Eis aí uma
pergunta tão difícil de ser respondida por todos. Sabemos tudo sobre muitas
coisas, sobre geografia, sobre a vida do vizinho, sobre os perigos do racismo na
Angola e os riscos de um superávit primário causado por uma crise chinesa de
1982 após um conflito generalizado, mas como responder a questão... Quem sou
eu?
Alguns
podem começar pelas roupagens como forma de se autodescrever, com respostas
como “Sou brasileiro, mineiro e faço Direito na UFMG”. Mas será que aquilo que
fazemos e o local de nosso nascimento realmente definem quem somos? Para mim
seria quase como alguém que usa uma camisa vermelha começar a se descrever como
“Eu sou esta camisa vermelha!”. Pura bobagem! Isto não é sua essência. Sua
ideia e filosofia de vida, embora seja parte de você, não definem quem é você.
Por um acaso
você nasceu no Brasil, e não foi escolha sua ter nascido na sua região. Aliás,
se você fosse outra pessoa, com acesso a outros recursos e vivesse uma vida
completamente diferente, talvez você tivesse uma filosofia de vida
completamente diferente da atual. Não estou pregando aqui uma visão
determinista das coisas, estou apenas ressaltando o fato de que se você nascesse
na Índia, a chance de você ser cristão hoje seria bem menor.
Recorro aqui
ao conceito de Tabula rasa, metaforicamente usado por Aristóteles, para
demonstrar que em um dado momento de nossa vida, a consciência é desprovida de
qualquer conhecimento inato – assim como uma folha em branco, que irá ser
preenchida. Durante toda a nossa vida até este momento somos conduzidos e
separados em grupos e adjetivos, e o pior de tudo é que começamos a nos
identificar com estas descrições. Você pensa: “Olha, se as pessoas estão
falando que eu sou inteligente, realmente devo ser!”, e então você se limita.
Sim, a
maldição dos “melhores da sala” é que muitos, com grande medo de perderem a “fama”
se arriscam menos, ambicionam menos e experimentam menos que os outros pelo
simples temor de errar. Quando você sempre acerta, você precisa agir dessa
maneira porque se identifica com essa característica. O indivíduo passa então a
ser mais dependente da aprovação dos outros, desenvolve menos auto-confiança e menos
capacidade para aceitar novos desafios.
Por outro
lado, se você ouve que “você é burro mesmo, hem bichão?”, talvez se condicione
a essa característica por constantemente ouvi-la dos outros. Você se identifica
com essa descrição e a toma como sua identidade e solta frases como: “Não
consigo aprender matemática. Não nasci
pra isso!” ou “Português é tão difícil. Não sou humanas, sou exatas!” e então você bloqueia o aprendizado
para estas matérias porque ser humanas ou ser de exatas é sua identidade agora,
e você precisa agir de acordo com isso.
Você se lembra
do que eu disse no post anterior que você não acredita naquilo que vê, mas vê
apenas aquilo que acredita? Aqui está a aplicação real deste princípio. É
assustador como quando nos descrevemos, limitamos nosso ser e toda nossa
potencialidade com isso. Quando digo que não
sou de exatas, mas sou de humanas imediatamente digo para o meu cérebro
bloquear qualquer conhecimento relativo à matemática, física e química porque esta
não é minha identidade e não posso me identificar com aquilo. Quando você faz
isso, uma barreira é criada entre você e sua capacidade de aprender tornando a
matéria mais difícil do que ela realmente é. Em alguns casos, essa “ilusão”
gerada pela criação da identidade é tão forte que pode até mesmo causar dor em
certas pessoas quando lidam com a matéria que dizem ter dificuldade, como mostra esta pesquisa.
Aprenda, não
existem habilidades inatas. Claro, todos nós temos nossas diferentes
inteligências e facilidades com determinadas coisas, mas não somos limitados.
Quando estamos em plena capacidade de nossas faculdades mentais, todos nós podemos
aprender qualquer coisa que quisermos desde que dediquemos tempo, esforço,
energia e vontade suficiente para isso.
Em minha vida,
gosto muito de aplicar a regra dos 80/20, que diz o seguinte: 80% dos meus
problemas são causados por 20% das coisas que faço. Use este princípio em sua
vida e perceba que 80% de suas dificuldades com determinadas matérias, advém de
20% das coisas que você faz. Mas o que raios isso significa? Muitas vezes acreditamos
que para aprendermos algo precisamos recorrer as mais variadas técnicas
externas como “estudar mais matemática” ou “adotar x método de estudo”. Em
parte, está certo. Se eu tenho dificuldade com alguma matéria, preciso dedicar
mais tempo ao seu estudo. Mas e se antes de adotarmos técnicas externas, olharmos
para dentro de nós mesmos? Que tal encontrarmos aquela pequena parte que vive
constantemente nos sabotando no aprendizado e impedindo que aprendamos com mais
velocidade e eficiência? Mudar 20% das coisas significa mudar apenas você mesmo
e não o externo.
Imagine que
você tivesse uma supermáquina em seu porão. Trata-se do computador mais potente
do mundo. Vamos dizer que tudo que você perguntar para ele sobre seu futuro e
como alcançar seus objetivos, o computador irá calcular as probabilidades e te
dizer quais são os próximos passos que você deve dar para alcança-los com 100%
de precisão. Você iria escutar as opiniões desse computador? Claro que sim. Agora
a melhor notícia? Esse supercomputador é real, ele existe. Está dentro de você.
Nós o chamamos de cérebro. E você quase nunca o escuta. Aliás, o problema não é
nem ouvi-lo, o real dilema é que você está dizendo coisas erradas para ele e
fazendo-o trabalhar contra você.
Seu cérebro é
uma das máquinas mais complexas que existem. É formado por uma fabulosa rede de
bilhões de neurônios, cem trilhões de conexões celulares, numa eterna troca de
energia e informação, e moldado por milhões de anos de evolução. É a máquina
mais perfeita e eficiente da natureza. Suas capacidades são ilimitadas. Não caia mais no erro de se
definir e com isso se limitar. Você tem uma supermáquina em seu porão capaz de
te levar aonde mais você desejar, e se você constantemente repetir que você é “feio,
portanto incapaz de conseguir aquela garota!” ou que você tem “incapacidade de
aprender tal matéria, e tem um corpo travado como o de uma estátua e, portanto,
incapaz de dançar também!”, você estará criando limites ao que deveria ser
ilimitado.
Na próxima
postagem vamos aprender a derrubar crenças limitantes e responderemos algumas
perguntas inquietantes sobre nós mesmos. Espero vê-los aqui na próxima. Aliás,
sobre a pergunta que ficou, afinal, “quem sou eu?”. Bom, ninguém mais
responderá essa pergunta – apenas você vai saber quando a encontrar. E como encontra-la?
Olhe para dentro de si mesmo. Não é algo que possa ser racionalizado, não é
algo que pode ser descrito. Quando minha mente descreve quem sou eu, já é
falso, já é limitação, é identidade. “Você” é algo que pode ser sentido, não
descrito. É quase como alguém que nunca comeu bolinho de chuva me pedir para
descrever o sabor. Não tem como descrever sabores. É algo que precisa ser
sentido, não descrito.
Não sou
cristão, mas peço licença para iluminar essa questão com uma passagem da bíblia
que acho maravilhosa. Quando perguntaram a Deus quem era ele, qual foi sua
resposta? Ele disse “Eu sou o que sou”. Este para mim é um dos maiores
ensinamentos que podemos encontrar na bíblia. Quem sou eu? Eu sou. Reflitam
sobre isso. Vemo-nos na próxima.
| Não espere encontrar em mim algum traço de normalidade. Sou do tipo que ostenta uma bala na faculdade, faço perguntas para meu cachorro esperando que ele responda e não sou como certas pessoas do meu círculo de amizades que mandam indiretas! Pois é. |